#GentedaLegisla – Entrevista com Juliana Lima

“ Quando criança, achava que política era algo distante, reservada apenas para alguns” 

1. Conte um pouco de quem você é. Seu nome, idade e cidade de onde vem.

Meu nome é Juliana Lima, tenho 23 anos e sou de São Paulo – SP. Em 2020, me formei em Jornalismo pela USP.

2. Como ingressou na política? Descreva uma situação que lhe fez querer participar.

Venho de uma classe social baixa, a vida inteira morei (e ainda moro) em uma região periférica da zona leste de São Paulo, o bairro de Itaquera. Minha família nunca teve muito contato com a política, então quando criança, eu não tinha proximidade alguma com a área, achava que era algo distante de mim, reservada apenas para algumas pessoas. No entanto, meus pais sempre fizeram de tudo para dar uma boa educação para mim e meus irmãos e foi na escola, principalmente durante o Ensino Médio, que entendi que a política estava presente na vida de todos e ia muito além do voto nas eleições a cada dois anos. Foi também quando comecei a me perceber como alguém que poderia atuar para trazer mudanças para o Brasil. Tive a sorte de, mesmo estudando em uma escola pública sem muitos recursos, ter tido em meu caminho professores incríveis que me ajudaram a ver a importância da educação na mudança social. Por causa de toda essa trajetória, nasceu em mim uma vontade muito grande de trabalhar para causar impactos transformadores e positivos na sociedade. E foi por acreditar em mudanças sistêmicas que fui me aproximando cada vez mais da política.

3. Qual foi o momento mais marcante para você na política?

Um dos momentos mais marcantes para mim foi o golpe sofrido pela ex-presidenta Dilma em 2016. Na época, eu já estava no primeiro ano da graduação em jornalismo, um curso que eu havia escolhido por acreditar no poder que as informações têm na vida das pessoas e também na própria democracia. Foi pessoalmente doloroso assistir ao impeachment e perceber como setores políticos e sociais, juntamente dos grandes grupos midiáticos, estavam colocando tudo isso em xeque. Sem contar, é claro, como todo o processo foi extremamente machista, misógino e agressivo. Mas acho que são das dores que tiramos nossas maiores forças e motivações. Em 2016, pude exercitar e desenvolver ainda mais meu pensamento crítico e acabei adquirindo uma vontade maior ainda de me envolver com a política e também com a área da comunicação, na esperança de poder ajudar outras pessoas a desenvolverem suas próprias visões críticas sobre o mundo.

4. Como conheceu a Legisla?

Tenho uma proximidade e gosto de acompanhar o terceiro setor brasileiro, por isso acabo conhecendo e acompanhando muitas organizações, das mais diversas áreas. A primeira vez que vi o nome da Legisla foi no final de 2019, em um post no Facebook de uma colega da universidade. Fui pesquisar mais e me apaixonei pela proposta da Legisla, então já comecei a seguir o perfil nas redes sociais. Depois, quando vi que o Programa Trilha estava com inscrições abertas, corri para me inscrever e deu certo! Estar entre os finalistas do programa foi uma das melhores notícias que eu poderia ter tido em um ano tão caótico como 2020.

5. 2020 foi um ano bem atípico, com todo o contexto da COVID-19, como vê o papel da política na construção de saídas coletivas desse processo?

A pandemia da covid-19 escancarou alguns fatos. O primeiro é como a nossa sociedade é profundamente desigual e que apenas assistencialismo não basta, é preciso ter boas e efetivas políticas públicas, que mexam com todo o sistema social e econômico. O segundo fato pode ser visto como um exemplo do primeiro, e fala justamente sobre o sucesso e o impacto dessas políticas. As pessoas puderam perceber o quanto o sistema público de saúde e a ciência (que é concentrada nas universidades públicas do país) são fundamentais para todos nós e precisam de maior valorização e investimento, sendo protegidos de qualquer desmonte ou precarização. Acredito que tudo isso fez com que os brasileiros percebessem que suas vidas estão diretamente ligadas à política e que é nosso direito e dever, enquanto cidadãos, nos envolver com todo o processo político de nosso país. Espero que daqui pra frente, a participação social na política seja cada vez mais maior e mais consistente.

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